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A Internet...

Internet

...e a depressão

2015-06-18 11:08:56.143
nos jovens...


Estão a surgir cada vez mais pesquisas no sentido de relacionar o uso compulsivo da Internet com a saúde dos seus utilizadores. A relação entre a Internet as chamadas novas patologias do século XXI, sobretudo as do foro psicológico, está ficando cada vez mais próxima. E algumas conclusões são deveras surpreendentes senão mesmo preocupantes. Estes estudos cientificamente credíveis pretendem acima de tudo compreender como a neurofisiologia humana tem vindo a alterar-se desde o surgimento da Internet e demais tecnologias digitais.

É inegável que estes meios vieram dar um enorme contributo na evolução das sociedades, no fácil acesso à informação e na rapidez de comunicação entre as pessoas. Mas temos, todavia, de concordar que a Internet não veio só alterar o modo como nos comunicamos, mas também a forma como interagimos com o mundo, com os outros e connosco próprios. Não será necessário analisarmos estes relatórios à lupa para concluirmos particularmente que a world wide web veio de facto mudar uma boa parte dos nossos comportamentos, hábitos, relações...enfim as nossas vidas por completo.

Trinta anos depois do seu surgimento a maioria dos jovens de hoje, também conhecidos como Geração Digital Greenfield 2009, não sabe e nem se imagina a viver sem a Internet. Eles nasceram e cresceram considerando este meio como um "órgão vital" no seu processo natural de desenvolvimento sem que ninguém lhes tenha dito o contrário. Portanto, não será estranho ouvir da boca de um adolescente de 16 anos que "não vive sem o seu telemóvel" ou afirmações do tipo se "não tens facebook não existes". Como se a existência desta geração dependesse dessas aplicações. E é precisamente aqui que estas pesquisas agora se concentram na elevada dependência desta geração a estes meios no reflexo que este comportamento tem na sua saúde física e mental e no seu desenvolvimento como seres humanos.


A ciberdependência está a tomar proporções alarmantes em todo o mundo e o paradoxo é que os meios que a provocam estão a distrair-nos por completo desta triste realidade. Parte deste fenómeno poderá dever-se sobretudo à grande atratividade da própria Internet, que se renova constantemente com novas e mais fascinantes aplicações, fazendo com que os jovens e adolescentes desde tenra idade fiquem cada vez mais presos à rede. Ou seja, quanto mais Internet as atuais e futuras gerações consumirem, mais forte e natural ela se torna. Parecendo absurdo quanto mais "vida" tem a Internet mais doentes e inertes vamos ficando. É como se ela sugasse a nossa vitalidade e as nossas energias num fascínio aditivo transformador e globalmente aceitável.

Mas será mesmo aceitável, estarmos a "branquear" o futuro destas gerações quando os relatórios nos dizem que os jovens que usam a Internet de forma não saudável são duas vezes mais propensos a desenvolver sintomas de depressão? (relatório Lawrence T Lamda Universidade de Notre Dame Austrália). Muitos são considerados utilizadores patológicos moderados da Internet e outros são considerados utilizadores patológicos "graves". Segundo o mesmo estudo os jovens que estão inicialmente livres de problemas de saúde mental mas que usam a Internet patologicamente podem desenvolver depressão como consequência. 

Um outro estudo realizado por uma investigadora portuguesa (Ivone Patrão docente do ISPA Instituto Universitário de Ciências Psicológicas) concluiu que existe uma "relação significativa" entre a ciberdependência ou uso problemático da Internet UPI como ela lhe chama e a ansiedade o stress e a depressão nos jovens. Dos 645 jovens que frequentam o sétimo, oitavo e nono ano do ensino básico a investigação conclui que 10% sofre de dependência da Internet correlacionada com estados de ansiedade e depressão. O curioso é que quase metade destes jovens assume que estão dependentes da Internet e relacionam este comportamento com um sentimento de "bem estar". A própria investigadora acrescenta que "é contraditório mas compreensível dado a faixa etária e as tarefas comuns na adolescência"e reconhece que o numero de jovens dependentes da Internet está a aumentar.

Consequentemente o isolamento, a ansiedade e a depressão irão aumentar num futuro próximo, sem que haja um modelo de prevenção capaz de dar a volta a estas preocupantes previsões. Entretanto a Internet vai continuar serena e constantemente a "forçar" os jovens e adolescentes (e muito adultos também) a transferirem as suas vivências e relações interpessoais para o mundo digital. Mas quando estes se apercebem que esta atração virtual não lhes satisfaz a efetividade individual ou não lhes preenche a componente humana e emocional, assiste se à alteração do humor, a um sentimento de não correspondência e de não pertença que resultam em depressão, considerada já como a doença mais comum deste século. 


Atlântico Expresso - 15-06-2015

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